Antonio Veronese e a Bienal de São Paulo
Destaques de Entrevistas
“O ataque que sofreu a senhora Leila Schuster … ” veja Artigos Publicados em:
www.antonioveronesephotos.blog.com
”O Rio precisa olhar-se no espelho, pois sentir vergonha já é um bom começo” Entrevista à Rádio France- Julho 2003
“Manifestos” de Veronese ganham novo olhar em Paris
BETTY MILAN especial para o jornal FOLHA DE SÃO PAULO
Depois de uma primeira exposição em julho na Capela da Humanidade em Paris, “Os Rostos do Silêncio”, que retrata os menores dos presídios brasileiros, Antonio Veronese faz uma segunda exposição neste mês. Por ter tido sucesso de crítica –artigos no “Le Figaro” e no “Le Monde”– bem como sucesso de venda. Dos 61 quadros apresentados, 41 foram vendidos na França.
A mostra abriu na mesma Capela da Humanidade e agora apresenta “Choro”, pequena tela que pertence à rainha Silvia da Suécia e que se transformou num ícone mundial da denúncia da violência contra as crianças no Brasil e no mundo –a tela já esteve em exposição no Canadá, nos Estados Unidos, na Suíça e em Portugal.
Veronese é um pintor autodidata com uma obra considerável. Trinta exposições individuais, além de painéis e polípticos em lugares chaves : “Save the Children”, nas Nações Unidas, “Tensão no Campo”, no Congresso Nacional, em Brasília, “Dormindo na Rua”, na Universidade de Genebra, “Brasileiros”, no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, “Just Kids”, símbolo mundial do Unicef.
A arte de Antonio Veronese é indissociável da vida e, por isso, ele fala da sua pintura como se fosse um manifesto, acrescentando que não é importante as pessoas gostarem dela, rostos que são a expressão mesma da perplexidade, do medo e da impotência. O que importa para Veronese é a sua arte não passar desapercebida. E ela não passa! O que aconteceu em Paris é a prova incontestável disso. Dela Tom Jobim já havia dito: ” na pintura de Veronese estão os protagonistas da guerra civil carioca” e Jô Soares declarou que ela “pega pelos olhos e bate fundo no estômago”.
Betty Milan escritora e psicanalista,autora de “A Paixão de Lia” e “Paris Não Acaba Nunca”
“A arte precisa provocar o espanto, mas só os idiotas se espantam com o ordinário” -Antonio Veronese
Convidado pelo Jornal da Tarde do grupo Estado para avaliar a Bienal de São Paulo, o artista plástico Antonio Veronese faz duras críticas ao tradicional salão paulistano.
A ideia de chamar Veronese para analisar a Bienal deveu-se ao fato de que, no mês passado, Veronese foi responsável por uma tremenda confusão no Whitney Museu de Nova York. Depois de pagar 10 dollares pelo ingresso para a BIENAL WHITNEY 2002, e constatar que a mostra americana era uma sucessão de instalações sem nenhum sentido, Veronese voltou à portaria do Museu nova yorquino e exigiu seu dinheiro de volta. A direção do museu ameaçou chamar a polícia. Veronese disse que ele mesmo a chamaria e , em cinco minutos, voltou acompanhado de um policial. Disse que queria que o oficial de policia o acompanhasse em uma nova visita à exposição. Então, em uma das salas, Veronese retirou uma das suas botas do pé e a colocou numa das instalações que faziam parte da exposição. “Veja, disse ao guarda, a minha bota se incorpora automaticamente à exposição; isso não é Arte!!” Diversas pessoas que assistiam à cena começaram a aplaudir e apoiar o protesto e armou-se uma pequena rebelião dentro do museu. O gerente então, pressionado pela situação, voltou atrás e devolveu o dinheiro a Veronese.O acontecimento inédito em um museu nova yorquino, chamou a atenção do jornal New York Times que, numa matéria posterior, criticou duramente a Whitney Bienal, dizendo que ” Veronese oxigena o debate da arte contemporânea. Convidado pelo Jornal da Tarde para analisar a Bienal paulista, Veronese foi ainda mais contundente, chamando a mostra , na edição deste jornal do dia 13 de abril, de uma piada, um grande engodo.”Isso é tão grave quanto a interferência nazista na criação artística, pois cria conceitos de uma grande leviandade”.
Segue a transcrição da matéria do Jornal da Tarde de 13 de abril de 2002
Essa Bienal é um Engodo, diz Veronese
André Nigri
O artista plástico brasileiro que exigiu o dinheiro de volta na Bienal 2002 do Museu Whitney em Nova York, foi à 25* Bienal de SP a convite de JT e analisou o que vale e o que não vale o ingresso.
“Há mais emoção e história em uma simples aquarela de Egon Schiele (1880-1918) do que em todo o pavilhão da Bienal” paulistana. A frase de Antonio Veronese pode dar a entender que seu autor, um artista plástico brasileiro que transita entre os Estados Unidos e a Europa, é um outsider ressentido com os colegas que expõem na maior mostra de arte contemporânea da América Latina. No entanto Veronese tem quadros seus pendurados nas Nações Unidas ( Painel Save the Children) , na FAO em
Roma ( Painel Famine), no UNICEF ( Painel Apenas Crianças), no Congresso Nacional ( Painel Tensão no Campo), na Universidade de Genebra , etc… Alem disso, Veronese expõe e vende nos Estados Unidos e na Europa, e é um velho militante de causas sociais no Rio- cidade onde fica quando visita o Brasil. Ao comparar a obra de Schiele às instalações e performances dos 190 artistas de 70 países abrigados na 25* Bienal de São Paulo, aberta até junho, Veronese coloca em discussão o que se faz e o que se classifica de arte hoje e para que ela serve. “Quase tudo que está aí dentro não vale nada. É uma piada encher esse prédio com obras que são um engodo” disse ele, na manhã de ontem, depois de visitar o Pavilhão do Ibirapuera a convite do JT. Ao contrário do que aconteceu no mês passado , no Whitney Museu de Nova York, não foi preciso chamar a polícia para esfriar os ânimos de Veronese desta vez, mas sua reação foi contundente da mesma forma. “A maioria do que vi no Whitney e que vejo aqui é resultado de uma idéia imediatista. Esses artistas são filhos espúrios de Duchamp” disse.
Consciente de que está comprando uma briga feia com a classe artística brasileira, Veronese não poupa nem os curadores de suas críticas: “São eles os maiores responsáveis por esse lixo. Não há mais curadoria decente na Bienal. E digo isso sabendo que muita gente gostaria de dizer o mesmo , mas não o faz”. Ao ser confrontado com algumas obras da Bienal paulista, Veronese foi categórico. Chamou a instalação de José Damasceno de leviana, e ao aproximar-se da obra do gaúcho Daniel Acosta, intitulada “Estação Avançada com Paisagem Portátil”comentou: “Se nós mudarmos o nome disso para Estação Neutral de Azul Profundo, não faria a menor diferença.. Em relação ao trabalho do carioca Chelpa Ferro , um automóvel que foi destruído em uma performance na abertura de
Bienal, disse, “Acho um absurdo que uma bobagem dessas ocupe um lugar tão precioso de uma bienal. Deveria estar num ferro velho”. Qual seria a saída? Para ele, o inicio seria decretar a morte das instalações nos espaços dos museus: “Ninguém suporta mais isso!! Chega desta vanguarda vazia. Acreditar que tudo já foi feito e que temos que montar essas bobagens é encenar a própria
decadência do Homem”
Entrevista à Rádio France depois das críticas às bienais Whitney e São Paulo.
Rádio France-Você , quando critica as bienais do Whitney e de São Paulo, não está negando aos artistas conceituais o direito de expor seus trabalhos? Isso não é antidemocrático?
Antonio Veronese- Eu não nego a ninguém o direito à exibição. Só acho que essas instalações deveriam estar na Disneyworld e não nos museus. São objetos para o divertimento e a interação, da mesma forma que um boliche ou stand de tiro-ao-alvo.
RF-O que gerou a sua reação encolerizada no Whitney?
AV- Não foi uma reação encolerizada. Foi uma reação natural de quem se sentiu ludibriado tendo que pagar para ter acesso a um amontoado de futilidades. Os “autores” destes farsismos se trancam no banheiro e riem de todos nós. O que fazem é terrorismo estético. Eles sabem que não têm nenhum valor -eles estão conscientes disso!- mas contam com a cumplicidade de curadores e com a covardia da crítica.
RF-Você chama a esses artistas de filhos espúrios de Duchamp. Por quê?
AV-A criação artística é produto de duas experiências: uma histórica e outra pessoal.O artista tem que conhecer a Arte que o antecedeu, mas precisa também da segunda experiência, a pessoal, fruto do trabalho contínuo, do lento avançar naquilo em que trabalha. Cezane, aos 64 anos já havia parido o modernismo, mas reclamava que ainda não havia conseguido ir até o fim em sua busca. caminho é longo e exige paciência e dedicação. Esse pessoal das instalações é culto, conhece a História, mas tenta dar uma rasteira na segunda exigência, a da experiência pessoal. Socorre-se para isso de conceitos que serviram em outras situações mas que, no caso deles, não passa de malandragem. O Urinol virado por Duchanp foi uma consequência da sua busca pessoal, num contexto particular e específico. Mas defender que o urinol possa ser manipulado indefinitivamente é encenar a nossa própria decadência. Por isso que eu digo que os conceitualistas são filhos espúrios de Duchamp.
Que diferença tem essa sua crítica da que sofreram os impressionistas no final do século XIX?
AV-A Arte é da natureza dos homens. Ela não é espontânea na natureza. É produto da interferência do homem, que não pode ser supérflua ou presunçosa. Victor Hugo dizia que a obra de arte é uma variedade do milagre. Para Malraux os artistas não são copistas de Deus , mas seus rivais. A arte contemporânea quer socializar o direito de produzir arte, antes restrito aos artistas.O que produz é facilmente copiável, diferentemente de um retrado de Rembrandt ou de uma mesa com maçãs de Cezanne. Para mim comparar a minha crítica com as que sofreram o impressionismo e o modernismo é uma inocência. Uma vez eu `incorporei” minha bota de couro a uma instalação no Whitney do Soho em Nova York. Só fui busçá-la no dia seguinte. E ela estava lá, no mesmo lugar em que a deixei. Ninguém se deu conta de que, por 24 horas, eu havia me tornado co-autor da instalação. Isso seria impossível com uma tela de Bacon ou de Lucien Freud. A crítica foi , durante muitas vezes na História, preconceituosa e totalitarista. Mas questionar meu direito de criticar agora é também uma forma de totalitarismo. Para mim há mais humanidade em uma simples aquarela de Egon Shiele do que em toda a Bienal de São Paulo reunida. A Arte precisa do espanto, mas só os pobres de espírito se espantam com o ordinário.
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thanks for sharing!
merci , Antonio, pour ces bons moments le 23 juillet dernier, au restaurant de Barbizon et à ton dans ta galerie. Nous avons cette photo prise avec Arnaud, un visage fascinant et toi, qui est vraiment superbe. Il nous fera plaisir de te l’adresser. Nous aurons plaisir à contempler ton oeuvre sur ce site . ce dernier jour de vacances fut très agréable.
Des canadiens sur le départ.
J’espère que vos peintures iront de plus en plus loin! (Arnaud)
Fabrice et Arnaud. Montréal - 2 Aout 2009